quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Passeio - Vila Inglesa de Paranapiacaba




A Céu, do blog 'ausentedoceu', faz aniversário neste 2 de setembro. Eu e a querida amiga, temos muitos amigos em comum, na blogosfera. Muitos já conhecem o seu blog, sabem do conteúdo admirável, sublime e cativante, no âmbito erótico do amor apaixonado. Cliquem aqui e desfrutem de uma escrita sublimada e sedutora

Deixo aqui, um mimo para a Céu: flores fotografadas em outro dia de caminhada. Tão delicadas, caiam de um muro de pedras, de uma expressiva altura.

Céu: felicidades, saúde, todos os sonhos realizados, com muitas alegrias, beijinhos e abraços. 





Agora, sugiro que voltemos no tempo, o ano era 1854 e a economia brasileira baseava-se em um único produto: o café.

Que tal degustarmos um 'espresso', bem tirado, cremoso e perfumado, enquanto eu conto um pouco, sobre a história de uma vila inglesa, que foi local de residencia das famílias de trabalhadores da São Paulo Railway Company?

Depois do 'espresso' ou para quem não gosta de café, há um licor delicioso, o meu adorado Limoncello, que além de delicioso, é refrescante! Fiquem à vontade, por favor.


Naquela época, o café precisava ser transportado até o porto de Santos, pois os navios atracados, esperavam pelas sacas. Então, por iniciativa do Barão de Mauá (1813/1889 - comerciante, armador, industrial e banqueiro brasileiro), imigrantes ingleses chegavam ao Brasil, encaminhados pela companhia inglesa de trem/comboio, a São Paulo Railway. Em 1860, as obras para a construção da primeira estrada ferroviária paulista, foram iniciadas. A meta era conceder a ligação dos principais produtores de café, estabelecidos no interior do estado de São Paulo, ao porto, na cidade de Santos. Passageiros, também, eram transportados. Muitos gastos, tempo e tecnologia da época, foram necessários para construir a linha ferroviária, com 139 km, em grande desnível, entre o planalto paulistano e a baixada santista.

E no topo da Serra do Mar, a 796 metros de altitude, começava então, um acampamento para os imigrantes ingleses, (todos funcionários: administrativos, técnicos e operários), que trabalhavam, então, na construção da linha ferroviária, com destino ao porto de Santos. Operários brasileiros e outros imigrantes, também, trabalhavam na construção da ferrovia.

A São Paulo Railway inaugurou a ferrovia em 1 de janeiro de 1867. Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra e o acampamento, passou a povoado e, mais tarde, distrito de Paranapiacaba, pertencente a cidade de Santo André.

Paranapiacaba era uma vila de comando inglês, aonde funcionava o centro operacional da São Paulo Railway. Os funcionários e engenheiros da companhia inglesa, com suas famílias, lá viviam, trabalhavam, faziam as suas compras, casavam, filhos nasciam e estudavam na escola local e havia lazer e cultura no Clube União Lyra Serrano, como bailes de máscaras, óperas, exibições de filmes, peças de teatro e jogos de futebol.

O nome Paranapiacaba tem origem tupi (uma das principais tribos indígenas do Brasil), que significa "lugar de onde se vê o mar", através da junção de paranã (mar), epîak (ver) e aba (lugar). By Wikipédia. 

Estive algumas vezes em Paranapiacaba, especialmente no inverno. A vila é um local muito sossegado. Casas em estilo inglês, construídas com pinho de riga, madeira originária do leste europeu, enfeitam as ruas. O fog, uma forte neblina, como a que se sabe em Londres, está presente por toda vila e faz lembrar mais ainda a atmosfera inglesa.

Pode-se chegar a Paranapiacaba de carro ou de trem. Nunca fui de trem, mas soube que é bem tranquila a viagem, que sai da Estação da Luz, na cidade de São Paulo, com destino a Paranapiacaba. O trajeto tem 48 km, com duração aproximada de 1h30m. Como o passeio é turístico, a velocidade é reduzida, permitindo assim, a contemplação da paisagem.

Cheguei em Paranapiacaba, antes das 12 horas, era início do inverno. Esta era a paisagem do dia, vejam na foto. E o fog já dava o ar da sua graça:


Do estacionamento, caminhamos até uma passarela, para chegar na vila, na parte baixa:


Eis a passarela, com parte das linhas ferroviárias desativadas e lamentavelmente, sem nenhuma manutenção. Tudo em perfeito abandono, esquecido no tempo, enferrujado e corroído. Um dos locais mais abandonados e esquecidos, que já conheci. O que há de interessante e histórico neste local, é uma riqueza! Igualmente, há de desprezo pelas autoridades governamentais. Literalmente, uma vergonha!


E mesmo assim, a vila é bela:


Na foto que segue, estou atravessando a passarela e logo acima, na colina, podemos avistar uma grande e vistosa casa:


Essa casa ou Castelinho, como também é chamada, era a residência do engenheiro-chefe, função do responsável por todo o funcionamento da linha ferroviária, bem como, pelos funcionários, familiares e pela vila inglesa.

A majestosa localização do Castelinho, permitia ao engenheiro-chefe, não apenas uma vista privilegiada, mas também, o controle de tudo o que acontecia na vila. 

Na primeira vez que visitei a vila, fui ao Castelinho, o ingresso foi fácil e rápido, não havia fila. Conheci o casarão integralmente e pelo interior, é de chamar a atenção, a quantidade de janelas. Certamente, tantas janelas, tinha o objetivo de facilitar a fiscalização, da vila, pelo engenheiro-chefe. Lembro de ouvir histórias do guia do Castelinho, sobre a demissão imediata, de funcionários solteiros que estivessem próximos das residências de funcionários casados. As habitações eram separadas para funcionários casados, para os solteiros e, também, havia uma classificação hierarquizada de residências.

No Castelinho, há uma lareira em cada cômodo. Imaginem o frio, lá em cima!

Na foto que segue, o local aonde funcionavam as oficinas da São Paulo Railway. Vê-se o abandono, a falta de cuidado, uma pena!


São muitas as histórias de assombração em Paranapiacaba, tais como, sobre um trem fantasma, gritos de almas penadas pelos trilhos ou sobre uma senhora que dança nas noites, no clube da vila. A própria neblina, eu penso, deve ser a inspiração para essas histórias, pois há mesmo um ar misterioso, por entre as brumas.

Anualmente, em Paranapiacaba, acontece a Convenção de Magos e Bruxas, Encontro de Ufólogos e o Festival de Inverno, atraindo muitos turistas. O local é bastante místico.

A seguir, um casa típica dos funcionários da companhia inglesa. Talvez, casas geminadas. 

A maioria das casas, atualmente, é habitada por locais, descendentes dos funcionários ou pessoas que apreciam viver na vila.


Passeei e almocei na vila e antes do regresso, fui a uma casa de chá. Conversei com a proprietária, que disse morar na vila por opção, atraída pelo sossego e pelo fato da vila ser bem pequena. Disse, também, que os moradores são tranquilos e voltados para a vida em família ou moram só. O sossego permanece durante na semana, pois nos finais de semana, a vila é agitada, por conta dos turistas. Mas não há expressiva reclamação, pelos moradores, da agitação, pois o turismo, atualmente, é a única fonte de renda da vila.


O fog, em determinada hora, já tomava conta totalmente da vila.



Sede do antigo mercado, construído em 1899, abrigava um empório de secos e molhados. Permaneceu muito tempo fechado, já foi uma lanchonete e agora, restaurado, funciona como centro cultural durante o Festival de Inverno. Esta edificação, está muito bem conservada.


Interessante que o fog, em Paranapiacaba, aparecia e desaparecia e nada tinha de assombrado e, sim, uma beleza particular. Quando aparecia, trazia junto gotas de fina chuva, que eram espalhadas e não eram constantes. 

Percebi, que alguns moradores, mesmo com um clima úmido e gelado, usavam apenas uma camiseta de tecido fino e sem mangas. Vi um homem lavando o carro, sem camisa, como se estivesse em pleno verão. Claro, perfeitamente acostumado ao clima local.

Permanecemos, eu e o maridex, o dia todo, bem agasalhados.


Conhecemos uma casa em exposição, típica da época, era habitada por funcionários solteiros:


A casa é bem pequena, cômodos bem apertados, mas tem dois fogões a lenha, em cômodos separados, creio que para aquecer água, porque naquele tempo sem um chuveirinho quente... madonna mia!

No outro fogão a lenha, uma batedeira bem vecchia ahaha...


Vila inglesa com uma avenida de nome nada inglês:


Plantinhas vivem nos telhados de uma casa, que parecia esquecida no tempo:


Ao fundo, vê-se a torre com um relógio em estilo inglês, inspirado no Big Ben e fabricado em Londres:



Final do dia, na casa de chá, para aquecer. Acompanhou uma fatia de bolo. Eu fiz uma brincadeira, enrolando o meu cachecol na cabeça:



Aqui, a Casa de Chá, na avenida Fox - foto capturada no google.maps:


Chegando ao fim do passeio, a placa indica a sahida, a maneira antiga:


Panorâmica da Vila de Paranapiacaba - foto by Companhia Paulista de Trens Metropolitanos:


Amigos meus, por estes dias, estou a correr com trabalhos extras, no campo profissional. Os últimos dias estão assim. Mas breve, estarei presente em cada blog, a contemplar e sentir cada um de vocês, como de costume, o que me dá imenso prazer. 

O marido, ainda, apresentou uma leve inflamação em um dos pés e tornozelo, que desde hoje, melhorou muito. Fiquei muito preocupada, mas agora, está sob controle. Aos poucos, tudo está a caminho da normalidade. 

Beijocas a todos, com dias felizes! 






terça-feira, 16 de agosto de 2016

Passeio - Ilha Bela



Laura, editora do 'http://asimegustaelmundo.blogspot.com.br/' fez aniversário no dia 30 de julho! Laura, a bordo de sua vespa, faz fatos magníficas, postando em seu blog, para nosso deleite. Deixo aqui um carinho para a querida amiga, por mais esta primavera cumprida e pelas maravilhas que desfrutamos em seu blog:  



Por um tempo, eu e o maridex, elegemos a Ilha Bela como o nosso paraíso praiano, para as férias. Frequentamos durante alguns anos, geralmente em janeiro, mesmo com todos os borrachudos (primos do pernilongo, mas muito mais chatos) que por lá habitam. Hoje em dia, não gostamos mais de eleger ou fixar locais, para as férias. Gostamos de conhecer novos locais, gostamos de inovar, gostamos de liberdade e novidade.   

A Ilha Bela tem uma das paisagens montanhosas mais belas do Brasil.  É um município-arquipélago localizado no litoral norte do estado de São Paulo e foi descoberto em janeiro de 1502, por Américo Vespúcio (famoso navegador e explorador de oceanos, nascido na Itália). 

Anualmente, a Ilha é visitada por turistas, nacionais e internacionais, que chegam por balsa ou por alguma embarcação, geralmente por navios de cruzeiros. Foi eleita como local perfeito para prática de esportes náuticos a vela, pelos ventos que por lá refrescam os dias quentes de verão. Estes ventos, foram os melhores e mais fiéis amigos, que fiz na Ilha Bela, pois no verão, a temperatura é muito quente. 

Por lá, contam-se muitas histórias sobre piratas, tesouros e navios afundados. Na maravilhosa praia de Castelhanos (que já foi refúgio de piratas), há um navio pirata, que parte da nau apareceu nas areias, devido a fortes chuvas. Dizem que a população já sabia da existência deste navio, mas não fizeram alarde, para não despertar a atenção de curiosos, que querem escavar o local, para encontrar preciosidades.

Em uma das primeiras vezes que estive em Castelhanos, consegui ver parte do tal navio pirata. Os caiçaras, disseram que a embarcação tem mais de dois séculos. Em outra oportunidade, voltei a Castelhanos, mas a nau estava novamente soterrada, pela ação da maré. Nunca consegui fotografar, uma pena.

São mais de 100 naufrágios ocorridos pelo mar da Ilha, desde 1700. O mais famoso e trágico, foi com o navio espanhol Príncipe de Astúrias, vindo de Barcelona/Espanha, rumo a Buenos Aires/Argentina, com mais de 500 passageiros. Os marinheiros diziam que um campo magnético alterava os instrumentos de navegação.

Wikipédia

"Em 6 de março de 1916, o navio se dirigia ao porto de Santos, fazendo sua sexta viagem à América do Sul. Levava oficialmente 588 pessoas entre passageiros e tripulantes, embora houvesse a informação de que cerca de 800 imigrantes viajavam clandestinamente nos porões, fugindo da I Guerra Mundial. Entre as cargas importantes, o navio levava 12 estátuas de bronze (que fariam parte do monumento La Carta Magna y las Cuatro Regiones Argentinas, em Buenos Aires) e uma suposta quantia de 40.000 libras em ouro. Chovia forte e a visibilidade era baixíssima, quando, por volta das 4h20 da madrugada, o comandante, José Lotina, viu um raio, que indicou o quão próximo o navio estava da terra. Ele ordenou toda a força a ré e que o leme fosse desviado completamente para boreste (direita), mas era tarde demais. O navio bate violentamente nos rochedos na Ponta do Boi na Ilhabela, no litoral de São Paulo e afunda em cerca de 10 minutos. Em um dos piores naufrágios da história do Brasil, oficialmente 445 pessoas morrem e apenas 143 sobrevivem. Wikipédia.

Afundou em cerca de 10 minutos? Madonna mia!

Vejam este mapa de Ilha Bela, mostrando os naufrágios. Na parte inferior direita, aparece o Príncipe das Astúrias, naufragado em 1916:


Na Praia do Bonete, sem luz elétrica, nem telefone ou internet, há uma colônia isolada de pescadores, e muitos são loiros, de olhos azuis. Quando eu perguntei o motivo, disseram-me que, por conta de uma embarcação holandesa ter afundado próximo da vila, alguns tripulantes conseguiram nadar até a praia e por lá ficaram, deixando descendentes. O acesso a praia do Bonete só pode ser feito por lancha ou, por aproximadamente 6 horas, de trilha.  

Ao chegarmos na Ilha, gostamos de fazer um passeio de escuna, para apreciar algumas praias, montanhas e vegetação. Dessa vez, as praias escolhidas, foram a da Fome e do Jabaquara. 










Em uma das praias, fotografei a escuna que passeamos pela costa da Ilha. Do céu, já começava um chuvisco.  




Na volta, o tempo mudou drasticamente, com uma forte garoa e céu bem nublado. Um cruzeiro deixava a ilha: 


Passeio de escuna terminado: 


A rusticidade, na pousada que ficamos, em meio a natureza:


Do nosso chalé, a vista: 


A sala do Café da Manhã, combinou na construção, pedra, madeira, vidro e tijolos, em plena harmonia: 


Eu, na sala do Café da Manhã, achando que estava acordada ahaha... jamais esqueci as geleias que provei nestes dias, feitas pela proprietária da pousada, uma simpática senhora alemã, Karen. 


Depois do café da manhã, voltávamos para o chalé e na varanda, eu e o maridex, conversávamos para decidir qual seria o passeio do dia. Muitas vezes, optávamos pelo modo 'sem rumo, com surpresas'.


Na Praia Grande de Ilha Bela, apreciando o espetáculo da chuva que acontecia no continente: 


Na Cachoeira dos Três Tombos:  



Na praia do Julião:


Na Praia do Pinto: 


No Centro Histórico da Ilha:


E passeando por lá, o pirata e capitão Jack Sparrow, fez questão de tirar uma foto comigo ahaha...


Gostávamos de terminar os dias, no deck do 'Nova Iorqui', local de nossa preferência na Ilha, para degustar todas as delícias do mar, cerveja geladíssima e, sem poder faltar, uma caprichada caipirinha. 



Vista parcial do deck, mas sem possibilidade de ver o mar, que aqui é aberto, sem praia, pois estava, como disse, um tempo mais para nublado. 


Em outro dia, voltamos ao continente, rumo a Ubatuba, quando estive com a madrinha do Fare la Scarpetta, a Astrid Annabelle.

O maridex aproveitou para comprar algumas plantas tropicais, ele adora jardinagem. 


Eu e a Astrid, em Ubatuba, um momento muito especial, dobrado de carinho e amor:






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