quinta-feira, 20 de abril de 2017

O Pato com Prótese e o Beija-flor - Férias da Mariana - Bolovo ou Scotch Egg com Purê de Batata




Era uma tarde de primavera, faz tanto tempo, talvez uns quatro anos. Quando cheguei no lago, vi um pato solitário e com muito esforço, tentava realizar a sua caminhada. Tal esforço tinha como causa, o fato de não ter uma das patas.

Os gansos e patos do lago, onde moro, são animais livres, portanto, alguém se propôs a ajudar esta ave tão graciosa, e adaptou-lhe uma prótese. 

Com esforço, o pato seguiu pela sua caminhada, talvez por uns dois anos. Depois não foi mais visto pelo lago. Talvez, tenha completado a sua jornada e agora, nada por águas celestiais. 

Foto by Marido

Patos, gansos e outros animais silvestres, convivem em perfeita harmonia no lago. 


Voltando ao nosso tempo atual, o céu já não acorda tão azulado e, em alguns dias, pode chover... 


E quando começamos a fechar a casa, um beija-flor entrou pela porta e tentava sair pelo vidro, mas foi impedido, claro! O marido o ajudou com o voo para a liberdade e lá se foi...  

Foto by Marido 

A minha neta Mariana esteve de férias, viajando com os pais e curtiu muitas praias. Meus três sorrisos mais preciosos! 

Filho, Neta e Nora  
Estas fotos foram enviadas pela minha nora. 

A pequena brincou com os peixinhos e fez castelos na areia. 


As férias são momentos de felicidade e renovação. temos que aproveitar! 





Conhecem o bolovo? Ou scotch egg? É um tipo de salgado ou petisco que é muito apreciado nos bares de São Paulo. Porém, com toda esta história de gourmetização da comida, eu já vi bolovos servidos com requinte, acompanhados de molhos especiais, como por exemplo a base de curry, resultando em um preço 'prá lá' de especial, $$$$$. E o bolovo é tão fácil de fazer, além de econômico... e como eu sou uma mulher antigourmet, pois gosto de ausência de frescura, de mimimi, eu servi aqui na minha casa, o bolovo com um purê de batata cremoso e bem prático. Gostamos e muito! Valeu por uma refeição. 

Sabe-se que em Londres ou na Escócia, o bolovo ou scotch egg, como por lá é conhecido, é encontrado nos supermercados (onde é servido gelado), pubs e bares. A carne usada é de porco (no Brasil, usa-se de boi ou vaca). Não conheço estes países, mas penso que pode ser, também, street food (comida de rua).  

E preferimos o bolovo com a gema cremosa, mas pode ser feito com a gema dura. A preferência é sua, lembrando que, com a gema dura é mais fácil de fazer, digo moldar, sem romper o ovo.  


  
Bolovo

2 ovos - importante: em temperatura ambiente,

1 ovo batido + sal + pimenta negra ralada,

300 gramas de carne moída duas vezes - vai sobrar um pouco de carne,

cebolinha e salsinha picadas,

noz-moscada ralada no momento,

1 colher cheia de chá de mostarda, 

sal, farinha de trigo, farinha de rosca e óleo de semente de girassol para fritar.

Em uma tigela misture; a carne, cebolinha, salsinha. noz-moscada, a mostarda e o sal. Separe a mistura da carne em duas porções e faça duas bolas. Cubra e deixe descansando na geladeira.

Disponha em três tigelas separadas: o ovo batido temperado com o sal e a pimenta, em outra a farinha de trigo e na última tigela, disponha a farinha de rosca.

Agora, com a água fervendo em uma panela pequena, coloque com uma escumadeira, os dois ovos, um a um, e deixe cozinhando por 6 minutos. Retirar, imediatamente, após o tempo e colocar em uma vasilha, com água gelada, para parar o cozimento. Descascar o ovo com o maior cuidado da sua vida, porque ele pode romper. Com a gema dura, não rompe, é mais fácil.

Molhe a sua mão na farinha de rosca e abra, na palma da mão, a carne em forma de círculo. Molhe o ovo na farinha de trigo e monte o bolovo, com as mãos. cobrindo delicadamente todo o ovo com a carne.

Passe o bolovo na farinha de trigo, depois na mistura do ovo batido e depois na farinha de rosca. Depois é só fritar no óleo quente, por aproximadamente, 4 minutos. Secar em papel toalha.

Os vlogueiros Gourmet a dois, fizeram este vídeo, que ilustra bem a montagem do bolovo e foi a minha inspiração para temperar a carne moída, pois adoro mostarda. E eles fazem com a gema dura.


Purê de Batata

4 batatas médias cozidas e amassadas,

2 colheres cheias de manteiga,

leite integral - eu gosto de leite em pó para o purê,

sal, 1 pau de canela (ou noz-moscada ralada) e pimenta preta ralada.

Sem necessidade de receita, apenas leve tudo ao fogo. com um pouco de leite. Quando a tudo estiver bem agregado, desligue o fogo. O ponto de creme aveludado no purê, é obtido com o mixer, sendo que o leite é o ingrediente da maior necessidade para atingir este ponto. Então, é só mixar na própria panela, usando o leite, de acordo com a necessidade. E se ficar muito mole, volte para o fogo médio, mexendo, até secar um pouco

O bolovo foi servido sobre o purê - volte na última foto para ver. A gema cremosa, o purê aromatizado com canela e a carne crocante... madonna mia! É bom! Uma cerveja gelada foi a bebida que acompanhou.



Beijinhos! 




sexta-feira, 7 de abril de 2017

Outono - Salada de Batata com Maionese ou Batatas ao Murro





No Brasil, estamos em pleno outono, minha estação preferida. Os céus amanhecem cinzentos e nublados, uma paisagem que eu gosto muito. As árvores soltam suas folhas, em uma demonstração diária de desapego ao que não é mais útil. Não criam obstáculos, apenas exercem a liberdade, criando espaço para que a vida renasça. 

E entre as folhas, chuva e brumas, uma trepadeira selvagem, que habita o meu jardim, insiste em abrir os seus botões diariamente, abundantemente, que ora parecem azuis, ora revelam-se lilases. Mas a cor é só um mero detalhe, se prestarmos atenção na luz que emana de dentro do seu útero.  


E se o momento for adequado, não deixe de admirar a atriz e cantora argentina, Susana Rinaldi, interpretando bravamente a famosa música El dia que me quieras. 

Aviso: você está prestes a sentir-se em um show para todos os seus sentidos, ao som extraordinário de um bandoneon e violino arrebatadores. 





Sabiam que aqui em casa, no quesito churrasco, o marido é o chefe? E faz com excelência, porque gosta e acha divertido. Ele, com o preparo das carnes e eu com os acompanhamentos. Gostamos de acompanhar as carnes feitas na grelha com batatas ou salada de tomate com alcaparrões espanhóis ou até mesmo legumes grelhados. 

Na foto abaixo, um pouco de pesto de rúcula, que já estava pronto na geladeira, deram mais sabor a estas fatias de tomates com alcaparrões.  


Mas as batatas são as rainhas, as preferidas para combinar com o churrasco e geralmente são preparadas no modo de uma salada de maionese ou ao murro. 

O preparo dessas batatas é muito simples, pois o dia regado a churrasco é digno de um ritual pantagruélico, que pede pouco esforço físico e muito afeto aos paladares e olfatos, acostumados ao bom trato por seus donos.

Salada de Batata com Maionese


O segredo da minha salada de maionese é agregar todos os ingredientes com a batata ainda quente, para que incorpore o sabor dos temperos na totalidade, por conta da temperatura. A consistência deve ser quase cremosa, quase com os pedaços desmanchados, mas sem que pareça um purê. 


Maionese feita em casa (junte no copo de mixer: 1 grande ovo inteiro, 1 colher de suco de limão ou vinagre de vinho branco, sal e com o mixer em ação junte em fio, azeite e óleo de girassol, em medidas iguais, até dar o ponto de maionese);

4 ou 5 batatas cozidas e sem a casca - cortadas em cubos pequenos;

azeitona preta picada grosseiramente - tipo azapa;

1 colher de chá de mostarda de Dijon;

pickles de pepino pequeno picado - quantidade a gosto, mas não exagere, por conta da acidez;

1 maçã sem casca e sem sementes picada - gosto de pedaços pequenos;

folhas de salsinha picadas;

1/2 cebola pequena picada em pequenos cubos e depois lavados e escorridos em uma peneira;

1 dente de alho pequeno picado;

3/4 de xícara de ervilhas congeladas e preparadas conforme instrução na embalagem;

4 ovos cozidos - 3 picados e 1 cortado em 4 pedaços, para decoração e

azeite de oliva, pimenta preta e sal a gosto.

Misture os ingredientes, com os pedaços das batatas ainda quentes. Prove para verificar o sal. Ajeite a salada em uma vasilha de servir, alise a superfície com a colher, enfeite com as fatias de um dos ovos, rale pimenta preta e regue com azeite. No verão, vai para a geladeira, até a hora de servir. 

Batatas ao Murro - a modo mio


Estas batatas são super fáceis de fazer e estão presentes em quase todos os churrascos aqui em casa. Recomendo muito, são práticas e deliciosas! 

E nem precisa de receita! Eu cozinho no microondas, por aproximadamente 8 minutos, umas batatas com casca, em uma vasilha refratária com tampa, com dois dedos de água, até ficarem al dente. Antes, eu espeto a casca algumas vezes com um garfo de sobremesa. É melhor que as batatas sejam do mesmo tamanho, tipo médio. 

Quando as batatas estiverem um pouco frias, mas não muito, eu dou um murro (ficam amassadas como na foto). Unto uma forma de ir ao forno com azeite, disponho as batatas e nos espaços encaixo dentes de alho com a casca. Espalho folhas de alecrim e tomilho frescas, ralo pimenta preta e tempero com um pouco de sal grosso, sem exagerar. Rego com azeite de oliva e em cada cavidade da batata, ajeito uma bolinha de manteiga (esse é o meu segredo, sim, a manteiga).

Vai para o forno pré-aquecido, até dourar, com a casca da batata crocante. Mas cuidado para não queimar o alho. O alho deve ficar um creme, ao sair da casca, com a ajuda de uma faca. Um bocado desta batata, sublimado com o creme de alho assado, é caso sério! 

O alho assado com a cabeça inteira, pode ser servido como um delicioso purê, perfumado com poucas colheradas de vinho branco seco. O sabor do alho assado? É adocicado e defumado, lembra um pouco amêndoas levemente tostadas. 








quarta-feira, 15 de março de 2017

Viagem - Santiago do Chile 4 - Parque de las Esculturas e Restaurante Como Agua Para Chocolate




Mais sobre Santiago do Chile, aqui:

Uma tarde, caminhando pelas ruas de Santiago, sem destino, acabamos descobrindo, o Parque de las Esculturas. É um espaço amplo e agradável. O dia estava nublado, a temperatura fresca. 



O parque foi criado por iniciativa de um grupo de artistas, por conta de uma das maiores enchentes ocorridas em Santiago, no ano de 1.982, pelo transbordamento do rio Mapocho. No local, havia um belo jardim, que foi completamente devastado pela enchente. Hoje, é um museu a céu aberto, com mais de 40 esculturas de artistas chilenos e de outros países. Algumas esculturas foram prestigiadas com prêmios internacionais. 


Estela monumental - Samuel Román

Nas duas fotos que seguem, o rio Mapocho



Oda al aire - Ignacio Bahna

Vuelo I - Lucía Waiser

Conjunto escultórico - Federico Assler

Uma foto panorâmica do parque. E o rio Mapocho do lado direto. 


Oda al río - Federico Assler
Yantra-Mandala - Aura Castro
Vigías del parque - Cecilia Campos

E uma escultura natural, que fiquei admirando, esta anciã magnífica, na foto que segue. 


Eu em pose de açucareiro, na foto que segue, admirando a grandiosa torre, que dizem ser o edifício mais alto da América Latina, a Gran Torre Santiago, com 62 andares, 300 metros. A torre é parte do Complexo Centro de Costanera, que inclui 2 hotéis, 2 torres dos escritórios e o shopping de 6 andares, que conheci e comentei em outra postagem. Eu estive no Chile em 2012, portanto, ainda estava inacabada, com o término previsto para 2013. 


Na volta, eu passei em frente de uma peluquería (cabeleireiro) e não resisti. Entrei, havia horário disponível e a simpática Rosa, lavou os meus cabelos, com direito a uma deliciosa massagem capilar. 


A lavagem do cabelo era em um local adequado, com direito a ficar com as pernas elevadas. Eu aproveitei o mimo e gostei! 

  

Depois de ter os cabelos escovados pelo Carlos, o cabeleireiro, fui encontrar com o marido neste café. Aqui provei um café bem a meu gosto! 


Muitos chilenos tem cabelos pretos, lisos e super brilhantes. Mas vi muitas mulheres loiras, que me pareceram naturais e eram muito bonitas. Creio que deve ser por conta da ascendência espanhola, no caso dos chilenos loiros e da ascendência indígena, pelo povo andino com seus cabelos naturalmente lisos e pretos.  

A moda é mais para o clássico. Observei muitas mulheres com tailleur e corte de cabelo que me lembrou muito o nosso antigo pigmalião, parecido com as imagens que seguem: a ruiva é a bela atriz brasileira Tônia Carrero, hoje com mais de 90 anos e a loira, a atriz norte-americana, Lindsay Wagner, a famosa mulher biônica, lembram? Embora, o pigmalião era um corte de cabelo com a franja bem mais repicada. 

Mas, vale lembrar que eu estive em Santiago em 2012 e hoje em dia, as mudanças ocorrem em uma velocidade bem acelerada, então... mas eram tailleur em cores claras e cabelos bem parecidos com os das atrizes. 


Aonde eu pude apreciar a moda em pormenor, especialmente das mulheres que trabalhavam nos escritórios, foi em um restaurante executivo. O menu destes restaurantes é ótimo e bem completo. O movimento era grande, porém dinâmico, pois o estilo executivo atende pessoas que preferem refeições mais rápidas.  

O atendimento foi sempre gentil e a sequência dos pratos, em um deles era: pão hallulla com patê e uma pequena porção de sopa, com legumes e verduras.


Em seguida, uma salada bem apetitosa, com folhas verdes e um ovo com gema cremosa, que estava delicioso.  


O prato principal foi lombo de porco grelhado, batatas e um molho delicado. A sobremesa, uma torta de baunilha com calda de chocolate. Estava tudo ótimo, o tempero bem suave. E as quantidades não eram exageradas.


Na nossa última noite em Santiago, fomos conhecer o Patio Bellavista. Um local que reúne restaurantes, cafés, pubs, cultura, arte, design, joalherias e certamente, uma ótima opção para uma noitada chilena. É bem interessante e bonito. Ocorre que esquecemos a máquina fotográfica no hotel e as fotos, com tantas luzes, não ficam de boa qualidade. A imagem que segue, pode dar uma ideia da complexidade do local e é daqui: patiobellavista.cl


Depois, decidimos jantar no restaurante temático Como Agua para Chocolate. Sim, ele tem o nome do mesmo filme mexicano. A cozinha é premiada e seus temperos passeiam pelas culturas criolla, chilena, peruana e mexicana. Dizem que os pratos possuem sabores mágicos a afrodisíacos! Ahaha. 



A decoração do restaurante, imita uma vila mexicana. É super bonito, diferente, uma experiência que eu recomendo, mas atenção, é um restaurante turístico! As mesas estão sempre ocupadas, dependendo do horário, portanto, sempre com muitas conversas, alegria, risadas. Fato que faz dele um caso de amor e ódio. Muitos que foram não gostaram, inclusive da decoração, que definiram com forte poluição visual. Mas, se a noite pedir algo diferente, super alegre, eu recomendo. Nós gostamos, aproveitamos a noite e o atendimento foi ótimo. É super frequentado por brasileiros, incluindo a música, das cantores: Maria Bethânia e Gal Costa.

A adega! 


Os garçons são bem jovens e o nosso, era espanhol. Deixou a Espanha para viver no Chile. 

A entrada foi uma explosão de sabores. Uma pastinha feita com coentro, estragão, pimentas, vinho branco, vinagre e outras coisitas. Acompanhou um delicioso pão fresco e caseiro. Todos estes sabores, foram harmonizados com o pisco sour, uma bebida do Peru e do Chile, feita com  limão, açúcar glaceado, aguardente de uva, angostura, clara de ovo, cubos de gelo.

Logo na entrada, eu já estava degustando tantos sabores variados, mas tão bem combinados. Estava realmente delicioso. Exotismo é uma palavra que define bem! 


A taça com a bebida mais clara é o pisco sour. 



Para o prato principal, a minha escolha foi o Congrio Almendrado: um delicioso peixe e o filé era alto e belo. Foi servido em um prato de cerâmica, bem quente, apoiado em uma base de madeira. O filé deitava sobre um delicioso creme de espinafre, coberto com crosta de queijo e amêndoas tostadas. Tudo gratinado no prato de cerâmica. Espetacular! 


O marido pediu Merluza a la Diabla, com uma apetitosa apresentação! O molho estava encorpado, feito com vinho tinto, mix de mariscos, vieiras e camarão. Acompanhava arroz de amêndoas tostadas. 


A sobremesa eu esqueci de fotografar e a culpa não foi do vinho! Foi do pisco sour! A pedida foi Crema de Los Dioses, feita com leite. Pedimos uma só, dividimos e já estava de bom tamanho. Achei um pouco exagerada no açúcar, portanto não foi do meu agrado. O café estava espetacular!

Ainda caminhamos mais um pouco pelo Patio Bellavista e aproveitei para conhecer as joalherias. Vi peças lindíssimas feitas com uma pedra que adoro, a lápis-lazúli. 

Depois pegamos um táxi e voltamos para o hotel, para logo dormir. As malas já estavam arrumadas, pois no dia seguinte, partiríamos para Mendoza, conhecida como a meca dos vinhos na Argentina. Produz com qualidade, azeites e cerejas. 

A viagem de avião de Santiago do Chile para Mendoza, na Argentina, tem o trajeto por cima da Cordilheira dos Andes e a vista é simplesmente deslumbrante! Qualquer dia eu posto!  Beijinhos, abracinhos, obrigado pela deliciosa amizade e comentários.